Receita · ICMS/ISSBrasil20 de outubro de 202616 min

Como organizar os impostos dos pedidos da Shopify no Brasil antes de falar com o contador

Se você vende pela Shopify no Brasil, o imposto do pedido não é o que vai para a Receita Federal e a SEFAZ do estado. Este guia mostra como baixar o mês, separar frete e produto, anotar o país e chegar ao contador com os pedidos em ordem.

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Equipe Nompli

Como organizar os impostos dos pedidos da Shopify no Brasil antes de falar com o contador

Começa pelo pedido, não pelo depósito

Se você vende pela Shopify no Brasil, o mês trava no mesmo lugar. A loja diz um número. O banco diz outro. A Shopify mostra o imposto do pedido. Mercado Pago, PagSeguro ou Pix solta menos, porque a taxa já saiu. E a Receita Federal e a SEFAZ do estado não quer o painel nem o crédito na conta. Quer a obrigação do seu regime, com a nota que o emissor gerou.

Este guia serve para organizar esse mês antes de sentar com o contador. Você vai baixar os pedidos, separar produto e frete, anotar o país de cada caixa e guardar o imposto que a loja calculou. Com isso dá para conversar. Sem isso, a reunião vira adivinhação.

Você não vai transmitir nada daqui. Também não emite NFC-e ou NFS-e pela Shopify nem pela Nompli. A nota sai do seu emissor. A entrega da obrigação fica com quem cabe no regime, em geral com o contador. O que dá para deixar pronto hoje é a pasta do mês.

ICMS e ISS não têm uma alíquota só para o Brasil. alíquotas que mudam por estado, município e produto. Confira no e-CAC e o portal da SEFAZ. MEI, Simples e regime normal não leem o mesmo painel. Escreva o seu regime na primeira folha antes de somar.

O que o pedido traz e o que ele não traz

Abra um pedido pago de verdade, não o resumo do mês. Dentro devem estar as linhas do produto, o desconto se houve cupom, o frete que o cliente pagou, o país de destino e o imposto que a Shopify calculou. Se o país falta ou o imposto veio zerado numa venda que você achava tributada, anote. Não complete de memória.

Isso não é uma NFC-e ou NFS-e. É a foto do checkout. A nota é outro documento, com outro número, e é o que a Receita Federal e a SEFAZ do estado consegue cruzar. Pedido com imposto e sem nota não vale zero. Vale pendente.

Também não é o depósito. O depósito chega depois, líquido, e às vezes junta vários pedidos. Se você começa pelo banco, apura de menos e ainda não explica a taxa.

O erro clássico é misturar três coisas numa planilha só: o que o cliente pediu, o que a maquininha liberou e o que foi faturado. Separe no primeiro dia. Cruzar vem depois.

Passo 1. Baixe só o que foi pago

Exporte o mês pela data de pagamento. Não pela data de criação. Carrinho abandonado não é venda. Pedido criado no dia 31 e pago no dia 2 fica no mês do pagamento, salvo outro critério escrito pelo contador.

Imagine um mês com 77 pedidos pagos. Fique com número, data, status, moeda, subtotal, desconto, frete, imposto da Shopify, país e meio de pagamento. Se houver mais de uma moeda, não converta ainda.

O arquivo leva ano, mês e nome da loja. Baixe no primeiro dia útil, não na véspera do vencimento. No dia do prazo você esquece uma coluna.

Print do total do admin não serve. O total não diz para que país foi cada pedido nem quais voltaram.

Passo 2. Separe produto, cupom e frete

No mês de exemplo, o subtotal dos produtos foi 46.200 reais. Os cupons tiraram 1.800 reais. O frete cobrado somou 3.100 reais. Junto, dá 47.500 reais. Use como rascunho para não esquecer o frete. Não trate como base fechada: o contador diz se esse frete entra no imposto.

Cupom reduz o que o cliente pagou. Não é publicidade até alguém reclassificar. Frete cobrado pode ser receita. O custo da transportadora é a nota dela, e essa nota não mora dentro do pedido. Se você usa o frete cobrado como se fosse o seu custo, a margem sai inventada.

Veja se o preço já inclui imposto ou se o imposto entra por cima. Abra um pedido real e escreva na capa. Se você mudou isso no meio do mês, o arquivo parte em dois. Não faça média.

O imposto da tela é o que alguém configurou na Shopify. Pode não ser o ICMS nem o ISS daquele produto. Compare com a nota. Sem nota, a comparação fica pendente. Não ajuste a célula para ficar bonita.

Passo 3. Anote o país antes de opinar

Desses 77 pedidos, 4 foram para Portugal ou outro país. O país muda a pergunta: venda daqui, exportação, ou imposto mal configurado. Você não responde isso na planilha. Você deixa o dado visível.

Se a Shopify calculou imposto também nesses envios, não apague o número para o mês parecer só nacional. Marque pedido, total e país. A nota de exportação, se for o caso, sai do emissor com o critério do contador.

Caixa que vai para outro estado continua sendo venda interna. A distância não vira exportação. O estado pode importar para o ICMS. Anote o estado se o export trouxer. Não invente alíquota interestadual nesta planilha.

Cidade estrangeira com país em branco é pedido incompleto. Volte ao admin antes de fechar a pasta.

Passo 4. A liquidação explica o caixa, não o imposto

A taxa de Mercado Pago, PagSeguro ou Pix no exemplo foi 2.800 reais. Por isso o banco não parece os pedidos. Parece o que sobrou. Quem trata o depósito como venda apura de menos e perde a despesa da taxa.

Um meio, um arquivo. Pix, cartão e boleto não se colam. Cada liquidação tem data, bruto, taxa e líquido. O líquido casa com o banco. O bruto casa com o pedido. A taxa vai para despesa quando existe suporte. Se só existe o crédito, escreva que a taxa deste mês não está aberta. Não invente.

Chargeback não é estorno de produto. Tem data. Se não achar o pedido, fica na folha de pendências. Não abata do imposto para forçar o fechamento.

Dinheiro que a operadora ainda não liberou não apaga a venda. O pedido fica no mês. A liberação pode cair no seguinte. Escreva isso na capa.

Passo 5. Estorno fica com a data dele

No exemplo há 3 estornos, de 960 reais. Se o cliente pagou num mês e recebeu de volta no outro, o primeiro mês continua com a venda e o segundo fica com a devolução. Netear tudo num número bonito apaga a história.

Pedido cancelado antes do pagamento fica de fora. Pedido pago e depois anulado entra, e aparece de novo no dia do estorno. Não apague a linha original.

Se a NFC-e ou NFS-e já saiu, não resolva a devolução editando o CSV. Pergunte ao contador qual documento a Receita Federal e a SEFAZ do estado usa nesse caso. Chegue com o número do pedido e a data.

Estorno pequeno é o que se perde. Por isso tem folha própria, mesmo sendo poucos.

Como fica um mês qualquer

Pense num mês normal da loja: 77 pedidos pagos. Subtotal 46.200 reais, descontos 1.800 reais, frete 3.100 reais. O rascunho, antes da palavra do contador sobre o frete, fica em 47.500 reais.

Havia 4 pedidos para fora, sobretudo Portugal, e 3 devoluções de 960 reais. A taxa foi 2.800 reais. Nada disso se resolveu mudando o total do painel. Ficaram três listas: sem nota, destino exterior, e diferença contra o banco.

Se o regime apura esse imposto todo mês, o valor que você separa sai dessas vendas marcadas, não do depósito. É um estimado para não gastar o imposto. Não é DAS e não é a guia. Se o regime não funciona assim, a capa diz que o estimado não se aplica.

Marque o prazo no calendário, deixe um estimado no apartado de impuestos e percorra o mês no checklist. A calculadora serve para uma venda solta. Nenhuma delas transmite sozinha.

Onde o mês costuma se enrolar

Separe produto e serviço. Um produto pode cair em ICMS e um serviço cobrado à parte pode cair em ISS. A Shopify não faz essa classificação. Se o checkout vendeu um kit com os dois, as linhas não entram na mesma alíquota por costume. Ficam marcadas.

Pix no mesmo dia do pedido não dispensa a nota. O Pix explica o caixa. A NFC-e ou a NFS-e explica o fisco. Sem nota, o Pix é recebimento sem documento.

O Simples não transforma o imposto da Shopify em DAS. O DAS tem base e calendário próprios. Use o painel para alimentar a conversa. Não troque a guia pelo total do admin. Se o faturamento do mês, loja mais balcão, chegou perto do sublimite, escreva isso na capa antes de comemorar a quantidade de pedidos.

Venda de balcão não entra no CSV para completá-lo. Entra na lista dela. Misturar origens faz o imposto da loja explicar dinheiro que a loja não viu.

A pasta do mês, sem mistério

Uma pasta por CNPJ e por mês. Quatro coisas dentro: export de pedidos, liquidações de Mercado Pago, PagSeguro ou Pix, notas e a lista do que ainda não tem nota, perguntas para o contador.

Na capa: regime, moeda BRL, se o preço inclui imposto, quantos pedidos, quantos buracos e quantos destinos de fora.

Se você não consegue exportar sozinho, vira tarefa com data. O mês não pode depender de um print no chat.

O que levar para o contador

Leve as listas, não o depósito. Pergunte em que data entra o pedido pago no dia 30 e enviado no dia 2. Se o frete cobrado entra na base. O que fazer com os 4 destinos em Portugal quando a loja calculou imposto mesmo assim. Como documentar a devolução de 960 reais se a nota já saiu.

Pergunte se a taxa de Mercado Pago, PagSeguro ou Pix tem suporte neste mês ou se só existe o líquido do banco. E se o regime separa esse imposto todo mês. A alíquota de estado e município se confirma no e-CAC e o portal da SEFAZ, não nesta página.

ICMS, ISS e taxa da plataforma não vão para uma célula chamada diversos. Cada um com o seu nome.

Onde a Nompli ajuda

Se a loja está conectada, a Nompli organiza os pedidos já sincronizados: linhas, totais, frete, país de destino e o imposto que a Shopify calculou. Dá também para deixar um estimado, o checklist e as datas. Isso evita chegar em branco. Não é nota fiscal e não é a declaração.

A NFC-e ou NFS-e continua saindo do seu emissor. A obrigação continua com quem cabe no regime, com o contador. Se o número da loja e o da nota não batem, os dois ficam visíveis. Ninguém escolhe um vencedor escondido.

Diferença com nome dá para fechar. Diferença escondida volta no ano que vem, quando ninguém lembra do pedido.

Perguntas frequentes

Posso declarar com o total que a Shopify mostra? Não. Esse total é o cálculo da loja. A Receita Federal e a SEFAZ do estado trabalha com o seu regime e com as notas. Use o painel para não perder linha, frete, destino e imposto. A transmissão é no canal oficial.

O depósito da maquininha é a venda do mês? Não. No exemplo a taxa foi 2.800 reais sobre um rascunho de 47.500 reais. O banco parece o líquido. O pedido explica a venda. A liquidação explica o caixa.

Pedido com destino Portugal já é exportação? Não só porque o checkout tem outro país. São 4 pedidos e cada um precisa de país, total, imposto da loja e nota. Até o contador confirmar, o imposto fica marcado. Não se apaga.

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