Receita · ICMS/ISSBrasil29 de setembro de 202615 min

O que revisar no Fator R antes do Anexo do Simples

O Fator R decide se a sua atividade de serviço fica no Anexo III ou no Anexo V, e o número não nasce no dia do DAS. Este guia separa folha e receita dos últimos doze meses para o seu contador aplicar a regra vigente.

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Equipe Nompli

O que revisar no Fator R antes do Anexo do Simples

O anexo não se escolhe pelo que parece mais barato

A busca «fator R simples nacional como calcular» aparece quando o DAS de um mês sai mais alto do que o do mês anterior e ninguém sabe se a folha mudou ou se a receita mudou. O Fator R compara, em linhas bem gerais, a folha de doze meses com a receita bruta de doze meses. A referência que todo mundo repete é 28 por cento para permanecer no Anexo III em atividades que a lei manda testar. Esse percentual e a lista de atividades mudam com a norma. Quem confirma é o seu contador, com a Receita Federal, não uma planilha antiga.

Este guia não escolhe o anexo nem gera o DAS. Ele deixa os dois números honestos: o que entrou de receita e o que foi folha de verdade. A Nompli organiza o checklist, o calendário e a estimativa. Não emite nota fiscal, não paga o DAS e não substitui o contador.

O erro caro é recalcular o fator no dia do vencimento com o extrato do banco. O extrato mistura pró-labore, distribuição de lucro e gasto pessoal. O fator não.

Passo 1: Marque a janela de doze meses, não o mês isolado

O fator não olha só o mês do DAS. Olha uma janela. Escreva a data de corte e os doze meses que entram. Se você começou a empresa há menos de um ano, não invente doze meses de faturamento zero para «melhorar» a conta. Anote os meses reais e deixe a projeção para o contador.

Um mês fraco de receita não apaga um mês forte de oito meses atrás. Some a janela inteira. Escolher o trimestre bonito é a maneira de se surpreender no anexo.

Ação concreta: uma linha do tempo com doze caixas. Cada caixa tem receita e folha, mesmo que uma delas seja zero.

Passo 2: Defina o que entra na folha antes de somar salários

Folha, para essa conversa, não é todo dinheiro que saiu para pessoas. Salários, pró-labore e encargos que a regra vigente manda incluir podem entrar. Distribuição de lucro, aluguel pago ao sócio e reembolso de despesa não são folha só porque saíram da mesma conta. Se você somar tudo, o fator fica artificialmente alto e o anexo parece resolvido.

Peça ao contador, uma vez, a lista do que ele considera folha neste ano. Cole essa lista no topo da planilha. Não a reinterprete cada mês.

Ação concreta: duas colunas, «entra na folha» e «saiu do banco mas não é folha». A segunda coluna é a que evita a briga de março.

Passo 3: Separe pró-labore de distribuição de lucros

O pró-labore tem recibo, incidência e uma data. A distribuição de lucros tem outra cara, quando existe lucro de verdade. Se no extrato os dois se chamam «retirada do sócio», o fator não tem o que fazer com esse apelido. Dê nome a cada transferência no dia em que ela acontece, não no fechamento.

Subir o pró-labore só para empurrar o fator, sem combinar com o contador, mexe em INSS e em outros encargos. Não é um botão gratuito. Anote a intenção e deixe a decisão registrada.

Ação concreta: no mês, cada retirada leva uma etiqueta: pró-labore, lucro ou adiantamento. Adiantamento não entra na folha até virar uma das duas.

Passo 4: A receita bruta é a das notas, não a do Pix

A receita da janela segue as notas do período, com as devoluções que o contador mandar abater. Um Pix sem nota não aumenta a receita oficial e também não deveria sumir da sua cabeça: ele é um furo, não um favor. Liste os recebimentos sem documento à parte.

Notas canceladas e notas de mês seguinte não entram na caixa do mês só porque o dinheiro caiu agora. A data da nota manda na receita. A data do Pix manda no caixa. São duas leituras.

Ação concreta: confira o total de notas da janela contra a soma das doze caixas. Se não bater, pare. Não calcule fator em cima de um total furado.

Passo 5: Calcule um rascunho e escreva a regra que usou

Divida a folha da janela pela receita da janela e anote o resultado com quatro casas, mais a frase «rascunho, regra confirmada em [data]». Se o seu contador ainda não confirmou se a sua atividade passa pelo Fator R, o rascunho não escolhe anexo. Ele só mostra o tamanho da folha.

Se o resultado fica colado no limite que vocês usam como referência, não comemore. Um mês de férias sem pró-labore derruba a janela. Avise antes, não depois do DAS maior.

Ação concreta: guarde o rascunho em PDF na pasta do mês. O número de cabeça não serve quando o anexo mudar.

Passo 6: Olhe o efeito no DAS sem misturar com o imposto do mês

O anexo muda a alíquota efetiva ao longo do tempo. Não transforme isso num «imposto deste mês» sem a tabela que o contador aplicar. O seu papel é dizer: a folha subiu, a receita subiu, ou as duas. O contador diz o que isso faz com o DAS.

Se você separa uma reserva, use o rascunho como teto conservador quando estiver perto do limite, e escreva isso. Uma reserva baixa demais no mês em que o anexo vira é a que quebra o caixa.

Ação concreta: no calendário, uma revisão do fator no mesmo dia em que você fecha a folha, não no dia do DAS.

Passo 7: Entregue a janela pronta, não doze extratos

O pacote do mês tem a planilha da janela, a lista do que não entrou na folha e as notas canceladas. Não tem um zip de extratos para o contador adivinhar. Se uma caixa está sem folha porque não houve pró-labore, escreva zero e o motivo.

Quando o DAS vier diferente do rascunho, compare as duas fotos. Ou a folha mudou, ou a receita mudou, ou a regra aplicada não era a do seu bilhete. Sem a foto, cada guia parece um mistério.

Ação concreta: no dia útil anterior ao vencimento, leia em voz alta folha, receita e resultado. Se travar numa caixa, essa caixa não está fechada.

Sócios, férias e o mês em que a folha some

Dois sócios com pró-labore desigual precisam aparecer separados. Somar «retiradas da família» esconde quem está abaixo do que o contador combinou. A folha é nominal.

Mês de férias coletivas ou de sócio que viajou sem retirar pró-labore entra como zero explicado. Não copie o pró-labore do mês anterior para o fator ficar bonito. O fator bonito e falso é o que a malha enxerga depois.

Se a atividade não está na lista que passa pelo Fator R, não force a conta para pagar menos. Pergunte uma vez, anote a resposta e pare de recalcular todo dia 15.

Se você tem mais de um sócio, escreva o pró-labore de cada um na caixa do mês, com o nome. A soma sem nome esconde quem ficou abaixo do combinado e empurra o fator com a retirada de um só. Distribuição de lucros continua fora, mesmo que saia no mesmo dia do pró-labore. Duas transferências no mesmo extrato pedem duas etiquetas. Uma etiqueta «sócios» não serve para a Receita nem para o seu contador.

Quando a folha do décimo terceiro ou das férias cair numa competência só, não a espalhe pelos doze meses para segurar o fator. Ela entra na caixa da competência certa, no valor certo. Espalhar é desenhar um fator que a folha real não sustenta. Se o resultado ficar colado no limite que vocês usam como referência, avise o contador antes do DAS e aumente a reserva. A Nompli guarda o rascunho e o calendário. Não escolhe o anexo.

Perguntas frequentes

O que é o Fator R na prática?

É a comparação entre a folha de uma janela de meses e a receita bruta dessa mesma janela, usada para definir o anexo de certas atividades do Simples. A lista de atividades e o percentual de referência você confirma com o seu contador.

Como o pró-labore entra nessa conta?

Ele pode entrar na folha, ao contrário da distribuição de lucros. Se no banco os dois têm o mesmo nome, separe no dia da transferência.

Quando eu devo recalcular?

Quando fechar a folha do mês, não na véspera do DAS. Um rascunho com data evita discutir o número de memória.

Qual anexo eu escolho se o resultado ficou em cima do limite?

Você não escolhe sozinho. Mostre o rascunho ao contador e deixe a regra vigente escrita. Perto do limite, a reserva de caixa deve ser a mais conservadora.

Qual é o papel da Nompli neste cálculo?

Nenhum automático. A Nompli não gera o DAS nem define o anexo. A Nompli organiza o checklist, o calendário e a estimativa. A nota, o DAS e o anexo continuam com o seu contador e com a Receita.

Próximo passo

Monte hoje as doze caixas com receita e folha, e etiquete o que não é pró-labore. Marque a revisão no calendário tributário e use o checklist fiscal mensal para não fechar o mês só com o extrato.

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